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Instituto de Assistência à Saúde dos Servidores do Estado de Alagoas
Segunda, 05 Agosto 2019 16:14

O que é sarampo? Saiba mais sobre a doença

Fonte: www.uol.com.br/vivabem/noticias/

Pense antes de responder. Você conhece alguém que teve sarampo? A depender da sua idade, provavelmente você nem imagina como é essa doença que já foi uma das maiores causas de mortalidade infantil, é de fácil contágio, pode ter sérias complicações, principalmente entre as crianças, adultos jovens e pessoas que tenham a imunidade comprometida.

Em 2019, a cidade São Paulo virou um dos grandes focos de surto. Segundo dados da OMS (Organização Mundial da Saúde), o avanço do sarampo é um fenômeno global, e nos últimos dois anos houve um aumento de 300% nos casos, comparados ao mesmo período em 2018. O Brasil está na lista dos países mais afetados. A causa dessa mudança varia de acordo com cada nação, mas todas elas têm um ponto em comum: as pessoas estão deixando de se vacinar, apesar de a vacina ser a melhor forma de prevenir a doença.

O que é sarampo?

Trata-se de uma doença viral altamente contagiosa. Isso porque o vírus é transmitido por meio do contato direto ou pelas vias aéreas --basta que a pessoa infectada respire, tussa ou mesmo espirre. A doença evolui de forma rápida e pode ter complicações graves, principalmente entre os pequenos.

Quanto dura o período de contágio

O vírus pode ser transmitido desde cinco dias antes, até quatro ou cinco dias depois de as lesões de pele (manchas vermelhas), características da doença, aparecerem. O período de maior transmissibilidade ocorre 48 horas antes e até 48 horas depois do início dessa manifestação da pele.

"Cada indivíduo com sarampo vai contaminar de 12 a 18 pessoas. A capacidade de contaminação é de duas a quatro vezes maior do que o vírus da gripe", alerta o presidente do Departamento de Infectologia da SBP (Sociedade Brasileira de Pediatria), Marco Aurelio Palazzi Sáfadi.

Quais os sintomas do sarampo

Os sintomas geralmente se manifestam após cerca de 10 dias da infecção. A essa altura a pessoa poderá apresentar:

  • Coriza;
  • Tosse;
  • Febre ascendente --a cada dia que passa, as temperaturas são mais altas;
  • Conjuntivite;
  • Infecção no ouvido
  • Manchas vermelhas --alguns dias depois, aparecem os exantemas ou rash (grosseirão com manchas vermelhas). Eles se espalham por todo o corpo, e começam a partir da parte de trás das orelhas e pescoço para, depois, avançarem para os membros superiores e inferiores (braços e pernas) e o abdome. Essa fase pode durar três, quatro, cinco dias, mesmo período em que a febre começa a abrandar.

Quem precisa estar mais atento?

Todas as pessoas podem ser infectadas pelo vírus do sarampo. Crianças, adultos jovens e imunodeprimidos são os grupos mais suscetíveis.

Quando é a hora de procurar o médico?

Ao perceber que a febre não cessa e as manchas na pele já começaram a aparecer, procure ajuda especializada imediatamente.

Como é o diagnóstico do sarampo?

Na hora da consulta, o médico ouvirá sua história e fará o exame físico. Se houver suspeita de sarampo, ele poderá solicitar um exame sanguíneo para confirmar a infecção. O sarampo é uma doença que deve ser comunicada às autoridades sanitárias. Os médicos se referem a essa exigência como notificação compulsória e ela abrange todos os casos suspeitos, independente de depois serem confirmados ou não.

O que esperar do tratamento

Não existe um medicamento para tratar o sarampo, mas os seus sintomas podem ser amenizados. A SBP destaca o uso da vitamina A. O nutriente tem se mostrado útil para reduzir os efeitos da doença e até a mortalidade.

Cuidados após a confirmação do diagnóstico

A depender da gravidade do quadro de cada paciente, as medidas a serem adotadas podem variar, fala o pediatra Nelson Douglas Ejzenbaum, do Hospital Samaritano (SP). De modo geral devem ser adotadas as seguintes práticas:

  • Mantenha a criança afastada das atividades escolares até sete dias após o aparecimento das manchas vermelhas;
  • Controle a temperatura de forma cuidadosa. Toda mudança drástica deve ser comunicada ao médico;
  • Mantenha a criança hidratada;
  • Observe a presença de dor de cabeça. Se ela persistir, fale com seu médico.

Possíveis complicações do sarampo

"O sarampo pode ter manifestações clínicas intensas que requerem hospitalização [isso representa 10% dos casos]. As complicações mais comuns são otite, pneumonia, diarreia, encefalite e problemas neurológicos", informa Hélio Bacha, infectologista do Hospital Albert Einstein.

Os pacientes com maior risco para esse tipo de ocorrência são os seguintes:

  • Bebês abaixo de 1 ano de idade;
  • Crianças menores de cinco anos;
  • Adultos com mais de 20 anos;
  • Gestantes;
  • Pessoas com condições de imunossupressão (pacientes com HIV/Aids ou em tratamento de câncer, por exemplo).

Como prevenir o sarampo?

A melhor forma de evitar o sarampo é vacinar-se. A vice-presidente da SBIm (Sociedade Brasileira de Imunizações), Isabella Ballalai, conta que, com a chegada da vacina, a expectativa de vida dos brasileiros aumentou e, durante um surto, é responsável pelo rápido controle do vírus.

A meta das autoridades sanitárias é que 95% da população seja vacinada para evitar o avanço do sarampo. O problema é que, desde 2017, a adesão às campanhas de vacinação tem reduzido, o que abre espaço para novas infecções. Ballalai explica que as vacinas existem para reduzir o risco de enfermidades graves. "Quando a comunidade se conscientiza disso, ela percebe ser parte fundamental das ações que podem impedir o crescimento da doença. Só assim impediremos que o sarampo tome conta do Brasil de novo", diz.

A vacina é segura?

Segura e eficaz, as vacinas contra o sarampo são a Tríplice Viral (SCR) e a Tetra Viral (SCRV). Juntas, elas englobam a rubéola, a caxumba e a catapora. A SBP e a SBIm recomendam que a 1ª dose seja aplicada aos 12 meses de idade; a 2ª dose deve ocorrer entre 15 meses e 2 anos de idade. Já o Calendário Nacional de Vacinação, do Ministério da Saúde, recomenda que a 2ª dose aconteça aos 15 meses.

Tanto a Tríplice Viral, como a Tetra Viral são vacinas atenuadas, isso é, contêm agentes infecciosos vivos, mas eles já perderam a sua capacidade de causar a doença. Apesar disso, o sistema imunológico é capaz de reconhecê-lo como uma enfermidade e, para proteger o organismo, produz anticorpos.

Já sou adulto, preciso me vacinar?

Se você já recebeu duas doses (tríplice e/ou tetra viral) não precisa ser vacinado novamente. Caso você seja adolescente ou tenha até 49 anos e não saiba ou não possua registro que comprove que foi vacinado, você será considerado como não vacinado. Nesse caso, o esquema vacinal é o seguinte:

  • Até os 29 anos: duas doses da vacina Tríplice viral.
  • A partir dos 30 aos 49 anos: dose única da vacina Tríplice viral.

Para crianças maiores, adolescentes e adultos não vacinados, as duas doses devem ser aplicadas com intervalo mínimo de um a dois meses entre elas.

Tive contato com um doente, o que devo fazer?

Se você ou seu filho tiveram contato com alguém infectado, aplica-se aqui a regra da prevenção secundária que indica a vacinação (mesmo que a pessoa tenha as vacinas em dia) nas primeiras 72 horas após a exposição ao vírus. A medida pode bloquear a evolução da doença ou minimizar suas manifestações.

Quem já pegou sarampo uma vez está imune? Sim. Os indivíduos que já sofreram uma vez com a doença estão naturalmente imunes e são incapazes de serem infectados novamente.